sábado, 29 de dezembro de 2012

VI

Às vezes eu sinto que o mundo é um tablado
e eu sou um ator tentando recordar quem era
antes de interpretar tantos personagens,


V


Dizem que a vida vem e vai.
Sei que ela vai.
Como um rio que corre sem olhar para trás.
Sem pensar em nada, chega ao mar.
E ai então é infinito.

Mas a vida é só a vida.
E o rio é só um rio.
Se a vida fosse um rio, seria um rio.
As metáforas são mentiras que usamos parar explicar as coisas mais simples.
Tão simples que não tem explicação.

Talvez pudesse pensar no homem como uma arvore:
Que nasce, cresce, espalha suas sementes ao seu redor,
E então morre.
Pensar nisso me entristece...
Não somos arvores.
Não temos nada de infinito ou divino.
Nossas sementes podem se perder, morrer.
E é certo que não serão eternas.

Somos só homens pensando.
Inventando metáforas que dizem o que não somos.
Pois somos só homens pensando.
E quanto mais pensamos, mais longe estamos de entender coisa alguma.

IV

Meu espelho é inútil.
Quando escrevo me vejo melhor.
Tudo o que faço são auto retratos.
Cada verso é parte de mim.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

III


Sempre invejei as outras pessoas
Queria ir ao bar discutir futebol.
Ter no meu time do peito o amor que eu nunca soube onde depositar.
Queria ter vontade de me gabar das coisas:
Do tênis que calcei;
Da camisa que vesti;
Dos carros em que andei;
De tudo que comprei;
Das mulheres que usei...
Mas para mim são só coisas.

Queria ser como os outros
e não pensar em como poderia ser.
Apenas ser.
Seria tão mais fácil...

Seria tão mais fácil olhar para o céu
e fechar os olhos para tudo que é real.

II


Nunca soube quem fui
ou quem sou.
Fui abortado no mundo
e esqueceram de marcar meu lugar.
Toda minha vida senti que pertencia à algum lugar.
O tempo passava enquanto eu mudava meus lugares.
e continuava...
Nunca encontrei um lugar que me encontrasse.
Nunca me tive onde queria.
Assim descobri que não conhecia quase nada
sobre quase tudo.
E sobretudo não conhecia esse ser
que embaralha meus pensamentos
e sonha os meus sonhos.
Esse ser que habita meu corpo
e eu o chamo de mim.

I



Nunca sei onde estou,
onde vou. Onde estarei
nem sempre é fora de mim.
Não posso ser encontrado
se não sei onde sou.






Auto Retrato em Dm


Dizia ele que ré era sua tonalidade favorita, por seu ar introspectivo, triste e sombrio. Compus seus poemas em ré menor, como não poderia deixar de ser.
Convido-lhes a conhecer as memorias de alguém que desentendia de quase tudo, um sujeito completo de abismos.

Bem vindos ao olhar de um homem póstumo!