quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

XII


Os dias andam cinzas e azuis
como sempre hão de ser,
porém todo espaço de tempo
pra mim é um lamento,
eu não sei por que,
acho que cansei de ser.
Já não sei e nem quero saber,
agora tenho mais essa falha ainda por cima,
ando pensado tudo em rimas.
Um transtorno de paráfrase e métrica
que me desarma
para que eu não explicite qualquer tipo de replica.
Eu não gosto de cartas e de simetria,
muito menos da mágica e da fantasia,
não sou desses que morre
nem desses que mata,
sou aquele que escapa,
aquele pobre coitado que passa sem ser notado
e por assim ser, sou livre.
Assim nesses fatos
que não são relatos e nem vão ser,
são assim só criação a meu bel prazer,
pois toda boa invenção vem de lugar algum
senão da necessidade do dizer,
são pois esses trejeitos que me deixam satisfeito,
que me fazem ter direito sobre todo o meu saber.
Não que seja grande,
não que seja eterno,
não que seja belo
mas é meu
e dele farei os meus montes, meus castelos.

XI


Minha mãe tinha um dom.
Escrevia cartas para ninguém.
E ninguém as lia.
Um dia tomei-lhe este dom emprestado.
Escrevi uma carta sobre nada,
Endereçada a ninguém.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Geraldo

O mundo é grande 
Para nossos desencontros 
A arte é longa 
A vida breve e fim 
Mas como pode um mar assim tão grande 
Caber num mundo tão pequeno assim 
Meu violão não pesa muito 
Carrega tantas canções 
Fico pensando se um amor dos grandes 
Pode habitar pequenos corações 
Meu sapato carregado de distâncias 
O meu chapéu de sonhos sem fim 
Fico pensando e por mais que eu ande 
Eu não consigo me afastar de mim 
Fico pensando um mar assim tão grande 
Caber num mundo tão pequeno assim


domingo, 6 de janeiro de 2013

X


Tem gente que vejo, mas não entendo.
E posso jurar
Mesmo que soubesse tudo
Sobre todas as coisas
Não entenderia essa gente
Porque as coisas sempre são.
Mas a gente sempre está.

IX


Quando criança achava que devia amar as coisas.
Não todas as coisas,
Mas certas coisas.
Quando cresci, decidi que nada,
Nada tinha a obrigação de ser amado.
Quando cresci mais, percebi a importância de certas coisas,
E que sempre as havia amado.
Acho que este é o único amor verdadeiro,
Quando se ama sem pensar.

VIII


Meu pai 
é metade do que falo,
metade do que calo,
metade da minha imagem no espelho.
É só e é tudo;
meu principio e meu fim.
É uma vontade que anseia.
Um grito de silêncio  
que ecoa dentro de mim.
Fez a curva na minha estrada reta
e disso fez-se essa ausência
que me comparece todos os dias
todas as horas...
O que é ele senão essa pluralidade de singularidades?
Um contraste de semelhanças minhas.
Um verso de cada canção;
Uma só oração;
Um ampliador de solidão;
A palma forte e os pés no chão;
Um misto de lembranças e saudade
que escorre nas minhas mãos.

VII



Quando era criança
Catei os pedaços de mim no chão.
Na minha fantasia de criança
Eu gritava com Deus
E exigia uma explicação.
Como poderia da noite para o dia
Levar meu pai, destruir minha família,
Ignorar minha oração?
Toda vez que precisava do velho
Eu me perdia.
Eu não entendia como aquilo tudo podia ser.
E tudo que eu sabia era escrever.
Então toda vez que apertava o peito
Eu escrevia...

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Ah Cartola...


Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
sorrir prá não chorar
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Depois que me encontrar...

Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver...