quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

XII


Os dias andam cinzas e azuis
como sempre hão de ser,
porém todo espaço de tempo
pra mim é um lamento,
eu não sei por que,
acho que cansei de ser.
Já não sei e nem quero saber,
agora tenho mais essa falha ainda por cima,
ando pensado tudo em rimas.
Um transtorno de paráfrase e métrica
que me desarma
para que eu não explicite qualquer tipo de replica.
Eu não gosto de cartas e de simetria,
muito menos da mágica e da fantasia,
não sou desses que morre
nem desses que mata,
sou aquele que escapa,
aquele pobre coitado que passa sem ser notado
e por assim ser, sou livre.
Assim nesses fatos
que não são relatos e nem vão ser,
são assim só criação a meu bel prazer,
pois toda boa invenção vem de lugar algum
senão da necessidade do dizer,
são pois esses trejeitos que me deixam satisfeito,
que me fazem ter direito sobre todo o meu saber.
Não que seja grande,
não que seja eterno,
não que seja belo
mas é meu
e dele farei os meus montes, meus castelos.

XI


Minha mãe tinha um dom.
Escrevia cartas para ninguém.
E ninguém as lia.
Um dia tomei-lhe este dom emprestado.
Escrevi uma carta sobre nada,
Endereçada a ninguém.