O mundo é grande
Para nossos desencontros
A arte é longa
A vida breve e fim
Mas como pode um mar assim tão grande
Caber num mundo tão pequeno assim
Meu violão não pesa muito
Carrega tantas canções
Fico pensando se um amor dos grandes
Pode habitar pequenos corações
Meu sapato carregado de distâncias
O meu chapéu de sonhos sem fim
Fico pensando e por mais que eu ande
Eu não consigo me afastar de mim
Fico pensando um mar assim tão grande
Caber num mundo tão pequeno assim
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
domingo, 6 de janeiro de 2013
X
Tem gente que vejo,
mas não entendo.
E posso jurar
Mesmo que
soubesse tudo
Sobre todas as coisas
Não entenderia essa
gente
Porque as coisas
sempre são.
Mas a gente sempre
está.
IX
Quando criança achava
que devia amar as coisas.
Não todas as coisas,
Mas certas coisas.
Quando cresci, decidi
que nada,
Nada tinha a
obrigação de ser amado.
Quando cresci mais,
percebi a importância de certas coisas,
E que sempre as havia
amado.
Acho que este é o único
amor verdadeiro,
Quando se ama sem
pensar.
VIII
Meu pai
é metade do que falo,
metade do que calo,
metade da minha imagem no espelho.
É só e é tudo;
meu principio e meu fim.
É uma vontade que anseia.
Um grito de silêncio
que ecoa dentro de mim.
Fez a curva na minha estrada reta
e disso fez-se essa ausência
que me comparece todos os dias
todas as horas...
O que é ele senão essa pluralidade de singularidades?
Um contraste de semelhanças minhas.
Um verso de cada canção;
Uma só oração;
Um ampliador de solidão;
A palma forte e os pés no chão;
Um misto de lembranças e saudade
que escorre nas minhas mãos.
VII
Quando era criança
Catei os pedaços de
mim no chão.
Na minha fantasia de
criança
Eu gritava com Deus
E exigia uma
explicação.
Como poderia da noite
para o dia
Levar meu pai,
destruir minha família,
Ignorar minha oração?
Toda vez que
precisava do velho
Eu me perdia.
Eu não entendia como
aquilo tudo podia ser.
E tudo que eu sabia
era escrever.
Então toda vez que
apertava o peito
Eu escrevia...
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Ah Cartola...
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
sorrir prá não chorar
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Depois que me encontrar...
Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver...
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